MOVIMENTOS NA ESCRITA INICIAL DE CRIANÇAS: UM ESTUDO LONGITUDINAL DE HIPERSEGMENTAÇÕES

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MOVIMENTOS NA ESCRITA INICIAL DE CRIANÇAS: UM ESTUDO LONGITUDINAL DE HIPERSEGMENTAÇÕES

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Title: MOVIMENTOS NA ESCRITA INICIAL DE CRIANÇAS: UM ESTUDO LONGITUDINAL DE HIPERSEGMENTAÇÕES
Author: Paula, Isis Fernanda Vicente de
Abstract: Pelo fato de freqüentemente encontrarmos na escrita inicial de crianças a inserção de espaços em branco no interior de palavras, ou seja, separações além das previstas pela ortografia convencional, denominadas aqui de hipersegmentações, este trabalho visa, a partir deste fenômeno lingüístico, promover uma reflexão a respeito de aspectos convencionais de linguagem escrita. Para tanto, optamos pelo estudo longitudinal de produções textuais de crianças durante as três primeiras séries do ensino fundamental, buscando, em especial, demonstrar que as hipersegmentações são marcas de um sistema em construção, índices do trânsito do sujeito aprendiz pelos diferentes modos de enunciação da língua, em oposição a uma visão mais patologizante que freqüentemente as considera como “erro”, sinais de incapacidade e desatenção por parte do escrevente. Este estudo teve como hipóteses centrais a possibilidade de as hipersegmentações encontradas em produções textuais de início do processo de escolarização (1) serem representativas da inserção do sujeito escrevente em práticas orais e letradas constitutivas de seu aprendizado (institucional ou não) da escrita; e (2) tenderem a ocorrer de acordo com alguns movimentos ao longo deste processo, rumo a uma proximidade com o que se entende por escrita padrão, podendo se constituir em momentos de manifestação da subjetividade do produtor do texto. Assim, tendo por base os pressupostos teórico-metodológicos do paradigma indiciário, pudemos constatar que as estruturas das hipersegmentações encontradas nos textos infantis seriam resultado do trânsito do sujeito escrevente por práticas sociais de oralidade (observadas neste trabalho sob a forma de constituintes prosódicos, propostos por NESPOR & VOGEL (1986)) e de letramento, podendo ser vistas como índices do modo heterogêneo de constituição da escrita, tal como formulado por Corrêa (2004). Também verificamos que, embora a quantidade de hipersegmentações encontradas nas produções textuais das crianças ao longo dos três anos tenha oscilado, foi possível identificar regularidades em seu modo de emergência, de forma que pudemos distinguir três tipos mais gerais de movimentos. Essa diferença de movimentos encontrados na escrita das crianças nos leva a pensar na possibilidade de os sujeitos se encontrarem em diferentes planos de aquisição desse modo de enunciação da linguagem, devido, talvez, a sua maior ou menor inserção em práticas sociais que envolvam a escrita. Dessa forma, percebemos que, embora se desenvolva segundo movimentos mais gerais, o processo inicial de escrita não é linear nem atingirá um fim comum (o uso pleno da gramática normativa).
URI: http://hdl.handle.net/123456789/50
Date: 2007


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